Os prefeitos de Chapecó, João Rodrigues (PSD), e de Criciúma, Clésio Salvaro (PSDB), devem se reunir nesta sexta-feira (25) para discutir uma possível aliança para as eleições ao governo de Santa Catarina em 2022.
As conversas para a construção de uma chapa com João Rodrigues como candidato a governador, com a presença do PSDB e também do Progressistas vem ganhando força nas últimas semanas.
Como o prefeito de Chapecó precisa renunciar até o fim da próxima semana caso queira disputar as eleições deste ano, ganhou sinal verde para tentar montar uma aliança que viabilize uma candidatura ao governo.
O presidente do PSD em SC, deputado Milton Hobus, e o ex-governador Raimundo Colombo, que é o outro pré-candidato do PSD a governador, concordaram em dar a Rodrigues o prazo até o final deste mês para que ele negocie com os demais partidos. A promessa é de que no dia 30 de março os três voltem a conversar para uma definição.
Neste contexto, Rodrigues e Salvaro discutem uma possível dobradinha, com o prefeito de Chapecó concorrendo ao governo e o de Criciúma, a vice. Nessa aliança, entraria ainda o PP na vaga para o Senado, com a indicação de Luciano Hang. O empresário ainda não anunciou oficialmente se será candidato e nem a qual partido vai se filiar, mas há uma aproximação maior com o Progressistas nas últimas semanas. Ele precisa estar filiado até 2 de abril caso queira concorrer.
Embora Hang não fale sobre o futuro político e tampouco sobre apoios, a possível presença dele como candidato a senador pelo PP na chapa é citada pelo próprio Salvaro e pelo deputado Milton Hobus.
Questionado se a aliança entre PSD, PSDB e PP ocorreria com essas três candidaturas, o presidente do PP em SC afirma que “está caminhando nessa direção”.
– O Clésio [Salvaro] também teria que renunciar, então é uma decisão que teria que ser antecipada, e já fica batido o martelo. Aí vamos trabalhar para a campanha, o projeto para o Estado. Ganha-se tempo para a pré-campanha – afirma Hobus.
Caso Rodrigues consiga formar esta aliança entre PSD, PSDB e PP, Hobus afirma que ele terá o aval do partido e inclusive do concorrente interno Raimundo Colombo para renunciar à prefeitura e seguir com a pré-candidatura ao governo. Caso contrário, o ex-governador já se disse “à disposição para continuar a caminhada”.
PP reafirma proximidade com PSD
O senador Esperidião Amin, vice-presidente do Progressistas em SC, afirma que a “prioridade pública” do partido desde o ano passado é buscar uma parceria com o PSD. Por enquanto, porém, ele aguarda a movimentação de João Rodrigues, que tenta viabilizar a candidatura.
– Se ele renunciar na semana que vem, aí teremos um sinal claro de que será candidato – afirma.
Amin diz que conversou na última semana com o empresário Luciano Hang, mas que aguarda o anúncio da decisão do dono da Havan. Embora defenda a ideia que o PP tenha candidato ao governo, o senador afirma que quem quer parceria “tem que sacrificar parte do projeto isolado”.
– Quem quer parceria, tem que aprender a ceder. Isso vale para os dois lados – despistou.
Outros partidos também negociam
A situação só não é mais clara porque outros partidos também participam das reuniões nos últimos meses com PSD, PSDB e PP. O União Brasil, do prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, é um deles. Gean também precisará renunciar à prefeitura para disputar as eleições deste ano – decisão que já anunciou. No entanto, ao contrário do arranjo de Rodrigues e Salvaro, que já teria posições fixas, o prefeito da Capital defende que a decisão sobre quem será o candidato da chapa a governador seja tomada mais próximo do prazo das convenções, que ocorrem até o início de agosto, considerando quem estiver em melhores condições.
Além do União Brasil, o Podemos também conversa com esses partidos e pode integrar a aliança. O partido tem apresentado o nome do prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira, como pré-candidato ao governo. É outra liderança que precisaria renunciar ao mandato até a próxima semana caso queira disputar as eleições.
Outras pré-candidaturas
Em paralelo às negociações entre este bloco, outras pré-candidaturas ao governo do Estado também se organizam. O atual governador Carlos Moisés se filiou ao Republicanos há duas semanas e irá concorrer à reeleição. O MDB tem o prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli, como pré-candidato. O senador Jorginho Mello (PL) é pré-candidato declarado e vai disputar a eleição no partido pelo presidente Jair Bolsonaro. No campo da esquerda, um grupo de sete partidos discute a construção de uma frente ampla. Fazem parte siglas como PT, PSB, PDT, PCdoB, PV e PSOL.
O ex-deputado federal Décio Lima vinha sendo apontado como o nome para liderar a aliança, mas nesta semana o senador Dário Berger, que deixou o MDB, se filiou ao PSB e também se apresentou como pré-candidato. Lima e Berger devem disputar a indicação entre os partidos.
Fonte: NSC/Jean Laurindo